segunda-feira, 23 de maio de 2011

Leila Diniz, uma mulher muito à frente do seu tempo.



É impressionante. Tente pesquisar no Google sobre mulheres que entraram para a história. Incrível como o machismo é tão arraigado em nossa sociedade,  a ponto de influir na forma como e na escolha das mulheres que são lembradas ao longo do tempo.

Porque estou dizendo isso? Porque na lista das mulheres que entraram para a história, você encontra geralmente mulheres que se aproximaram de um ideal de santidade. Ou então as sofredoras, que foram decapitadas por que o marido as acusavam de adultério.

Ora... Raios...

Que sejam lembradas as mulheres FORTES, que fizeram o mundo pensar e questionar.

Por isso resolvi escrever sobre esssa mulher maravilhosa. Uma mulher anos luz à frente de seu tempo, que enfrentou tudo o que você pode imaginar - a ultra-direita conservadora, a esquerda radical... e ainda manteve sua alegria e seu orgulho, sua cabeça erguida: Leila Diniz.

Acredito que melhor símbolo para este blog não há. Leila Diniz formou-se em magistério e foi ser professora do jardim de infância no subúrbio carioca. Aos dezessete anos, conheceu seu primeiro amor, o cineasta Domingos de Oliveira e casou-se com ele. O relacionamento durou apenas três anos. Foi nesse momento que surgiu a oportunidade de trabalhar como atriz. Primeiro estreou no teatro e logo depois passou a trabalhar na TV Globo, atuando em telenovelas. Mais tarde, casou-se com o cineasta moçambicano Ruy Guerra, com quem teve uma filha, Janaína. Participou, ao todo, de quatorze filmes, doze telenovelas e várias peças teatrais.

Leila Diniz quebrou tabus de uma época em que a repressão dominava o Brasil, "escandalizou" ao exibir a sua gravidez de biquini na praia (fala sério!), e "chocou" o país inteiro (que falta faz uma terapiazinha, hein, Brasil?) ao proferir a frase: Transo de manhã, de tarde e de noite (uhuuu!!!!). Considerada uma mulher à frente de seu tempo, ousada e que detestava convenções, foi invejada e criticada pela sociedade machista das décadas de 1960 e 1970. Era malvista pela direita opressora, difamada pela esquerda ultra-radical e tida como vulgar pelas mulheres da época (inveja).

Leila falava de sua vida pessoal sem nenhum tipo de vergonha ou constrangimento. Concedeu diversas entrevistas marcantes à imprensa, mas a que causou um grande furor no país foi a entrevista que deu ao jornal "O Pasquim", em 1969. Nessa entrevista, ela disse: "Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama com outra. Já aconteceu comigo". Foi o exemplar mais vendido do jornal.

Morreu num acidente aéreo, vôo JAL471, da Japan Airlines, no dia 14 de junho de 1972, aos 27 anos, no auge da fama, quando voltava de uma viagem feita para a Austrália.

Sua amiga, a atriz Marieta Severo e o compositor e cantor Chico Buarque de Hollanda cuidaram da filha de Leila Diniz e Ruy Guerra, durante muito tempo, até o pai da criança ter condições de assumir a filha, Janaína Diniz Guerra.

Leila Diniz, a Mulher de Ipanema, defensora do amor livre e do prazer sexual é sempre lembrada como símbolo da revolução feminina, que rompeu conceitos e tabus por meio de suas idéias e atitudes.

"Sem discurso nem requerimento, Leila Diniz soltou as mulheres de vinte anos presas ao tronco de uma especial escravidão." - Carlos Drummond de Andrade

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